Arquivo de etiquetas: política

Ainda o candidato Costa

Tenho escrito antes sobre o Costa, não porque tenha um interesse especial, mas porque é tempo de olharmos para ele como possível líder de governo, e responder à pergunta: que tem de especial? Isto merecia mais tempo, mais estudo. Mas para mim a impressão é a de um homem que vive dentro da política, com a política e para a política. Nisso se ocupa.

Agora que se resolveu a questão interna do PS, o que faz? Continua a fazer intervenções sobre a vida interna do partido. O país, o governo, o futuro, parecem importar-lhe muito pouco, as propostas são uma piada.

Na última quadratura do círculo, disse as seguintes expressões:

  • Simultaneidade
  • Mistificação
  • É preciso sublinhar isto
  • E portanto (muitas, muitas vezes)
  • Incongruências
  • Aliás (muitas vezes)
  • Uma base sólida

Em cada frase sua usa tantas expressões como portanto, aliás, simplesmente, na verdade, obviamente, digamos, temos que, além do mais, é o seguinte.

Depois, quando lhe perguntam qual o caminho que há que fazer: não responde. Dá umas voltas, e critica novamente o governo.

O seu discurso é de uma falta de claridade extraordinária. Não consegue comunicar com simplicidade. Não consegue dar uma lista simples e clara. Não tem uma visão simples. É uma confusão.

Felizmente, temos o seu compasso no “political compass”, com bem nos mostra o Observador.

Anúncios

A nova lição de Cavaco: é errado DIZER que “pode ter custos para os contribuintes”

De acordo com notícia do Público, Cavaco declarou que “é errado dizer-se que, pela via da diminuição de lucros, os contribuintes estão a suportar custos” da Caixa Geral de Depósitos (e portanto da quebra do BES).

Tem razão o sr. presidente, pelo menos uma certa razão à político: é errado DIZER que pode ter custos. É muito melhor CALAR e não dizer, que tem sido a sua constante na carreira. Passos, o mecenas, deve aprender esta lição.

Estamos ainda à espera de uma visão de futuro, uma ideia, uma contribuição para a cultura do país. Mas não. Nada. Décadas em cargos políticos, e tudo o que obtemos são estas pequenas correções técnicas, como o que pode ou não pode ter custos, ou a ideia de que o futuro de Portugal está no mar. Se tivesse dito no fundo do mar, talvez tivesse mais impacto…

Uma pega com forcados?

descida

Diz o comentador professor que têm havido uma pegas no conselho de ministros e o das Finanças tem saído derrotado.

Vejamos:

Uma pega tem oito forcados e um touro. Se o Gaspar tem perdido as pegas, ou é um dos forcados, ou é o touro. E portanto anda às voltas com um tipo agarrado ao seu rabo. E daqui vai para o… matadouro.

Elegante, caro Professor Marcelo.

Mas a notícia tem alguns detalhes mais sobre o funcionamento do Conselho de Ministros. Parece que há reuniões frequentes e muita confusão. Parece que há falta de lidernça. Mas o que seria de esperar? Por acaso o presidente do Governo tem alguma experiência em algum tipo de gestão?

Seria interessante que os vídeos destas reuniões se tornassem públicos. Talvez a qualidade dos políticos melhorasse muito. É que lendo os CV dos políticos que lá estão, tenho muitas dúvidas sobre as capacidades deles…

Assim vão as coisas do mundo

Ocorre em Portugal uma coisas estranha e triste. Primeiro, uma geração de políticos eleitos democraticamente dedicou-se a pilhar os recursos do Estado, usando-os para projectos de muito duvidoso resultado. Em alguns casos gritantes, como o das PPP nas estradas no Interior norte ou na nacionalização do BPN, fizeram negócios desastrosos que transferem o dinheiro dos contribuites para interesses privados, sendo que muitos dos governantes que tomaram essas decisões acabaram como gestores das empresas que beneficiaram dessas concessões. Adicionalmente, fizeram contratos de financiamento nos quais bancos estrangeiros financiavam a obra, passando a ser devedores do Estado português. Quando o país chegou à beira da bancarrota, aparecem as instituições internacionais como o FMI que exigem o reequilíbrio das contas através de austeridade rigorosa e aumentos de impostos, reduções de salários, etc. Com uma única condição: que os credores não sejam afectados e o país tenha a capacidade de lhes pagar o que lhes deve. E se assim for, eles continuarão a emprestar. E o novo governo o que faz? Aceita. E começa uma série absurda de políticas de austeridade que vão retirando uma por uma as pedras do estado social. Os aumentos de impostos e austeridade generalizada causam um aumento do desemprego para níveis nunca antes alcançados. E a emigração dispara, sobretudo entre os jovens. Estes resultados causam o acentuar de recessão, pois a economia do país encolhe. Observa-se a taxa de natalidade mais baixa da história, a população reduz-se, a economia reduz-se, e a crise acentua-se. Entretanto, não se questiona nem os contratos de financiamento que estiveram na base da falência das contas públicas, nem o porquê esses bancos se envolveram em projectos que eram tão descaradamente fraudolentos. Não se questiona a nacionalização do BPN, nem a aquisição de submarinos, nem a contínua falta de respeito pelas contas do Estado manifestada por alguns governantes como por exemplo os da Madeira. Não há culpados. Os portugueses pagam cada vez mais, e vêm a implementação de medidas que são ideológicas mas erradas. O país mal governado. E por quem? Por alguns políticos que fizeram apenas carreira nas juventudes partidárias, criando empresas que beneficiavam de concessões do estado, tirando cursos universitários sem mérito, e predicando a austeridade ao mesmo tempo que mantêm mais de dez condutores pessoais, como é o caso do primeiro ministro. O quadro é claro: há um roubo que ocorre pelos que governam as matérias do Estado aos que pagam para o financiamento do Estado. E a pergunta é: como se chegou aqui, e como se sai daqui?

Quando às causas, a principal é que não existem mecanismos de Good Governance que funcionam em Portugal. Os governantes tomaram estas decisões sem que fossem controladas e fiscalizadas.

A crise do euro que se vai desenrolando mostra que os impactos são transnacionais, e é por isso que a UE começou a introduzir novos mecanismos para o controlo da despesa pelos estados membros do Euro. Este é um caminho: a fiscalização será supra-nacional. Esta parece uma opção natural, pois se verifica que em Estados regionais como a Espanha se o controlo das contas centrais foi mau, nas regiões foi péssimo pois estas actuavam com base na possibilidade de bail-out pelo Estado Central. É pois um primeiro passo a criação de mecanismos de controlo a nível europeu, que sem dúvida são uma perda de soberania, mas que compensam a falta dos mesmos a nível nacional em vários países. Mas falta um segundo nível de controlo, que deve ser criado nos próprios Estados. Em Portugal cabe ao Tribunal de Contas, ao Presidente da República, ao Banco de Portugal, à administração fiscal e à Polícia judiciária assegurar o bom governo. O Banco de Portugal falhou a supervisão bancária com o escândalo do BPN. O Tribunal de Contas falhou a fiscalização dos gastos do Estado, ao sancionar contratos que eram danosos para o interesse público como os das PPP. O Presidente falhou ao não exigir a fiscalização destas decisões nem as vetar, e adicionalmente por estar pessoalmente envolvido no caso BPN com suspeitas sobre ações preferenciais e aquisição de imóveis. O poder judiciário continua a falhar nos casos de suspeita de corrupção que envolvem muitos dos ex-governantes, assim como a lentidão com que actua nos casos que sim aparecem. E o poder tributário não conseguiu eliminar as suspeitas de fraude fiscal que continuam a ser generalizadas, e ilustradas por aquela famosa história sobre os rendimentos médios declarados pelos advogados. A conclusão é que ou se criam novos órgãos de fiscalização, ou se renova completamente todos os ocupantes dos mesmos.

A um segundo nível é necessário repensar o mecanismo democrático. Se é certo que não foi a falta de democracia mas sim a falta de mecanismos de controlo que levou à crise, é também certo que o controlo popular está muito limitado pelo actual desenho da democracia parlamentar representativa em Portugal. A Assembleia da República, que em princípio detem o poder, nada faz de eficaz para o fiscalizar. As histórias de deputados sem qualquer utilidade para a nação repetem-se, e é Continue reading Assim vão as coisas do mundo