O “the big short” chegou a Portugal…

E também à Madeira…Para quem quiser compreender o que são estes “contratos swap”, o melhor é ler “The big short“, um livro fascinante sobre a crise financeira.

Havia sempre alguém que comprava estes swap. Sem saber o que comprava.

Para mim é claro: que aposta com o dinheiro público e perde, paga. Quem aposta sem saber o que está a apostar, perde, e paga.

Eles já perderam.

Mas ainda não pagaram.

Guia para uma nova cidade

Depois de nove anos vivendo no estrangeiro e visitando Portugal ocasionalmente, fui criando uma lista das coisas que têm que ser melhores. Penso senpre em Lisboa, que é a capital do país e a mais visitada (2 milhões de turistas) – muitas coisas têm que melhorar. Eis a minha lista:

Lixo

É a imagem mais incrível. A capital do país, com lixo por todo o lado. Um dia comentei com os amigos lisboetas, durante uma jantarada. Responderam com pasmo: “está muito melhor!” – clamavam, quase ofendidos. Mas o Observatório do Turismo publica os resultados do seu inquérito de 2011 que mostra que a limpeza é um dos elementos mais criticados (leitura recomendada aqui).

No entanto o ofendido sou eu, e todos os visitantes desde o estrangeiro. Lisboa tem lixo, e muito. Tem lixo no chão, nas ruas, nas paredes, nas bermas da estrada. E qualquer visitante do primeiro mundo nota, como notará se viajar pelo país.

Algumas observações:

  • não há papeleiras suficientes. Uma regra simples é: onde se acumula lixo, colocar uma papeleira.
  • não há incentivos para os serviços de limpeza. Crie-se um sistema de crowd-alert em que os cidadãos notificam quando vêm lixo na rua, e crie-se um sistema de incentivos nos serviços de limpeza. Cada vez que há lixo detetado… desconta no prémio.
  • crie-se a figura do “steward de bairro”, que é o responsável pelo estado impecável da sua zona. Use-se o crowd-sourcing para gerir as zonas – cidadãos têm o papel de civic stewards e mantêm a informação numa plataforma na internet acessível a todos
  • grafitti: uma vergonha. Crie-se um orçamento especial para assegurar que paisagens essenciais da cidade são livres de grafittis. Todos os turistas que tomam o elevador da glória percebem o desleixo que há na cidade: um ex-libris não tem grafittis. Criem-se posições que dependem da ausência de grafitti, com responsabilização direta. Crie-se a figura da “paisagem património” para algumas zonas da cidade que têm que estar impecáveis, sempre. Publiquem-se os resultados na internet, com total transparência.

Publicidade

A cidade está cheia de publicidade em locais vergonhosos, como a rotunda do marquês, ou algumas avenidas. Remover toda a publicidade em locais históricos

Sinalização urbana

Os sinais de trânsito em estado degradado e os semáforos que não funcionam são outra face do desleixo na paisagem urbana. Tolerância zero para todas as zonas de alta visibilidade.

O estado das indicações na cidade é lamentável. Praticamente não há mapas de zona. Todas as paragens de transporte e estações de metro devem ter mapas de zona à saída para a rua, indicando a localização na cidade e os locais mais importantes na zona.

Iluminação

As passagens para peões devem ter iluminação especial que as torne bem visíveis à noite.

Sanitários públicos

Outra vergonha. Quase não há. Tem que haver, têm que estar limpos, bem assinalados, funcionar bem.

Taxis

Queixa frequente dos turistas: o comportamento dos taxistas (exemplo aqui). Este tema merece reflexão especial: porque é que o mercado não resolve o problema? Porque a qualidade do serviço é útil ao taxista apenas quando o cliente volta, e como o turista não volta, ele permite-se tudo. E portanto trata-se aqui de forte repressão e fiscalização aos taxistas até que o medo corrija a coisa.

Inquéritos aos visitantes

Os visitantes devem responder a inquéritos à saída (após a visita) e os resultados devem ser publicados em tempo real na internet. Uma app de ipad usada no aeroporto alimentando uma página web seria suficiente.

Mães à distância, ou como algumas coisas são sempre difíceis

Algum dia li que educar um filho é como uma longa separação que dura vinte anos.

O público tem um longo artigo sobre as mães à distância, que viram os filhos partir para outros países.  Não é uma crítica ou uma reflexão – apenas descreve os sentimentos e as razões de cada separação.

Pequena reflexão: se os filhos sempre partem, o que há de novo aqui? Talvez em Portugal a separação entre pais e filhos seja muito mais tardia do que noutros países? Talvez a emigração, que antes era uma escolha de sobrevivência, hoje seja uma busca do sonho, pelo que quem parte o faz para alcançar algo que não é tão fácil em Portugal?

É um dos lados deste mundo global. E o artigo revela e bem que hoje, com o skype, o email, é muito mais fácil manter a ligação. Há quarenta anos, chegava uma carta, uma distante chamada telefónica, e era tudo. Hoje, é muito mais fácil.

A reflexão é sobre o onde pertencemos. Se o nosso mundo é a nossa família, onde estivermos, qual a lógica de comunidade, de país, de pátria ou de nacionalidade? Quem fala de patriotas, hoje em dia, sabe do que fala?