O bailinho ao povinho

A Madeira funciona para Portugal como um enorme relógio que mede o atraso do país. Cada ano que passa e tudo continua na mesma, o relógio marca um ano mais de distância para o mundo desenvolvido.

Isto a propósito da notícia do Público sobre o Tribunal de Contas, o Ministério Público, e as contas da Madeira.

Quando foi realmente estabelecida esta falta de soberania das instituições da república sobre a ilha da Madeira? Durante o PREC? Era mesmo a Madeira era o território mais a sul do lado norte da “linha de Abrantes”!

Sobre a notícia, o melhor é a foto, que mostra o Governo regional, na sua dinâmica, sob uma bela imagem do bailinho da Madeira. O pior é o conteúdo: um tribunal (o de contas) que se queixa que o acusador público não quer acusar. É a justiça ao contrário: um Tribunal que se queixa que o “Público” não leva os malandros ao… Tribunal.

Triste baile, triste baile.

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Uma pega com forcados?

descida

Diz o comentador professor que têm havido uma pegas no conselho de ministros e o das Finanças tem saído derrotado.

Vejamos:

Uma pega tem oito forcados e um touro. Se o Gaspar tem perdido as pegas, ou é um dos forcados, ou é o touro. E portanto anda às voltas com um tipo agarrado ao seu rabo. E daqui vai para o… matadouro.

Elegante, caro Professor Marcelo.

Mas a notícia tem alguns detalhes mais sobre o funcionamento do Conselho de Ministros. Parece que há reuniões frequentes e muita confusão. Parece que há falta de lidernça. Mas o que seria de esperar? Por acaso o presidente do Governo tem alguma experiência em algum tipo de gestão?

Seria interessante que os vídeos destas reuniões se tornassem públicos. Talvez a qualidade dos políticos melhorasse muito. É que lendo os CV dos políticos que lá estão, tenho muitas dúvidas sobre as capacidades deles…

Afinal também temos “marretas”

Já sabíamos que:

  • Para a Goldman Sachs, o “cliente” que comprava os seus “produtos evenenados” seria um muppet, ou um marreta – um tanso que apostava e perdia quando a GS apostava e ganhava
  • A Golman Sachs esteve envolvida numa operação secreta com a Grécia antes do início da crise grega, num negócio desastroso que custaria aos contribuintes gregos aproximandamente 3 mil milhões de euros. Na Grécia também havia marretas.

E agora aprendemos que em Portugal também os há. Compravam estes “produtos” ao Goldman, mas também à JP Morgan, Deutsche Bank (estão sempre no top, estes) e BNP Paribas – o que me admira é que a indignação não seja maior.

Que maravilha. A alta finança no seu melhor. O “gestor financeiro” da empresa pública compra. A “grande banca internacional” vende. Produtos. Sofisticados. E o contribuinte, paga.

Sou um sonhador, ou isto está mal?

E voltando ao tema da negociação com a Troika: mas quando é que os países deixaram de apontar o dedo aos bancos que tanto lucraram nos negócios que levaram estes estados à ruína? E quando é que os tribunais vão começar a tornar isto claro? Há três partes: Banca, Estado (seus representantes) e Contribuintes. Quem lucrou, e quem perdeu? Quem é inocente e quem é culpado?

No meu entender, o voto legitima o governante para servir o estado em nome do cidadão, mas não para arruinar o estado. Há um argumento de que “se votaram neles, a culpa é vossa”, mas não vinga. Votaram neles para governação legítica – não para a ruína do estado, e muito menos às mãos de terceiros.

E não é ainda mais ridículo que a mesma mão que te torceu o pescoço te vem depois emprestar para te ajudar a sair da crise?